Chaves para saber se seu filho é um viciado em celular e redes sociais

Chaves para saber se seu filho é um viciado em celular e redes sociais

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Atualizado el08 de julho de 2018, 01:13

A metade das crianças menores de 14 anos em Portugal já dispõe de seu próprio celular. Mas de acordo com um recente estudo, a idade real a que têm seu primeiro telefone ainda pode ser mais baixa: 45% tem entre os 6 e os 12 anos.

Além disso, de acordo com dados do delegado do Governo para a Estratégia Nacional de Vícios, Francisco Babín, a percentagem de jovens entre 14 e 18 anos que fazem um uso compulsivo da internet e das tecnologias aumentou de 16% para 21%, entre 2015 e 2017.

Perante o aumento deste problema,a Comunidade de Madrid inaugurou no passado mês de abril, o Serviço de Atenção em Vícios Tecnológicas, o que atendem a adolescentes de 12 a 17 anos. Em Saber Viver falamos com o diretor, José Moreno.

Quando comprar o seu primeiro celular

“Não só é importante quando a criança pode ter este tipo de dispositivos, mas também para que locais e aplicações tem acesso. E isso vai depender da idade“, conta Moreno.

O especialista distingue as seguintes etapas:

  • Até os 3-4 anos:não é recomendável que usem o telemóvel ou qualquer outro dispositivo, mas não o usem para acessar a internet, mas apenas para tocá-lo, jogar, ver desenhos… “Muitas vezes, os pais deixam seus celulares ou tablets para seus filhos desde muito pequenos para que entertain, que não “perturbar” e fiquem quietos”.
  • Aos 11-12 anos: podem já ter seu próprio celular, mas não é conveniente que tenham acesso à internet, às redes sociais ou de acordo com que jogos eletrônicos. “Devem tê-lo só para fazer ou receber chamadas e, em todo caso, ter algum jogo que tenha sido supervisionado pelos pais”, adverte José Moreno. E lembre-se de que o WhatsApp, por exemplo, acaba de subir a idade mínima para o registo dos 13 aos 16 anos.

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  • Entre os 12 e os 17 anos:podem ter acesso à internet, às redes, mas sempre com a supervisão dos pais.

3 chaves contra o Abuso das tecnologias

De acordo com o diretor do Serviço de Atenção em Vícios Tecnológicas, é importante que os pais incentivem hábitos saudáveis e uma relação de confiança:

1. Oferecer outras alternativas de lazer

O trabalho deve começar desde que seus filhos são muito pequenos. Devem dar-lhes outras alternativas de entretenimento que não sejam na frente de uma tela, jogar com eles, promover o contato físico, as amostras de afeto, as atividades ao ar livre…“, explica o especialista.

2. Dar um bom exemplo

Comunicamos e ensinamos mais com o que fazemos o que dizemos. Se dizemos às crianças que não podem usar o celular quando estamos comendo, falando… e nós em troca fazemos, podem sentir que lhes estamos enganando“, adverte.

No entanto, observa: “Mas você também tem que fazê-los compreender que os adultos e as crianças vivem situações diferentes, e que o uso que podem fazer dos dispositivos não é o mesmo“.

3. Favorecer a comunicação

Segundo o especialista, quando as crianças são pequenas, há que dar-lhes umas regras claras e ser firmes, sem entrar no debate. Mas à medida que crescem, a partir dos 12-13 anos, é cada vez mais importante a comunicação e fazê-los participantes da negociação.

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Televisão e sonho

A melhor estratégia de controle é gerar confiança na relação. Isso não quer dizer que os deixe fazer o que quiserem, mas mostrar-lhes que podem falar com os pais o que quer que seja, que se lhes ouve, e que pode haver diferenças de opinião, sem que isso conduza a uma luta ou um distanciamento“, expõe.

Que limites HÁ QUE colocar

O especialista explica que há que ter em conta dois fatores: o tempo que as crianças usam os dispositivos e a continuidade, ou seja, o tempo seguido que estão em frente a uma tela:

  • Antes dos 7 anos de idade, devem usar como máximo 1 hora por dia os dispositivos, “e estes incluem celulares e tablets, mas também da televisão”.
  • Entre os 7 e os 12 anos, no máximo, 2 horas diárias negociadas, mas não seguidas.
  • A partir dos 12, “o aconselhável continua a ser de 2 horas, mas podem ser contínuas”.

Em todos os casos, recomenda-se pactuar um dia por semana “livre” de todo o dispositivo,isto é, que não estão a ser usados, e aproveitar esse dia para oferecer ao menino outras alternativas de entretenimento“.

falar sobre os perigos das redes

A idade mínima para abrir uma conta no Facebook e outras redes é 14 anos. Mas poucas vezes se atender a este limite.

  • Para impedir que possam aceder a conteúdos inadequados para sua idade, é conveniente que os pais instalem aplicativos de controle parental.
  • Colocar o computador ou o tablet em espaços comuns, como a sala de jantar, ajuda a controlar os sites a que acedem e o tempo que passam em frente ao ecrã.
  • E na preadolescencia e adolescência já tem que explicar as consequências que pode ter o uso da internet e das redes sociais. “Falar com eles sobre os perigos, de que é violência física, verbal ou psicológica, de gênero, de assédio, de sexualidade… para que possam identificar se encontram em uma situação assim. E fazê-los sentir que podem pedir ajuda ou perguntar sem vergonha”, diz Moreno.

OS SINAIS DE UMA “dependência tecnológica”

De acordo com o diretor do Serviço de Atenção em Vícios Tecnológicas, estes sinais devem alertar aos pais que o seu filho tem uma dependência de dispositivos:

  • Só se relaciona através da internet ou jogos eletrônicos, só tem relações virtuais.
  • O uso das tecnologias altera as suas responsabilidades na vida diária: em suas rotinas de higiene, de sonho, em seu desempenho na escola…
  • Mostra sinais de estresse, nervosismo ou alteração quando se retira o dispositivo, ou quando a família sai para comer ou fazer alguma atividade fora de casa e não pode se conectar.

Terapia para pais e filhos

O Serviço de Atendimento Vícios Tecnológicas oferece tratamento para meninos e meninas de 12 a 17 anos. É pioneiro em Portugal, o único especializado em dar resposta exclusivamente a este tipo de problema“, conta o diretor, José Moreno.

  • Por um lado, têm um serviço de prevenção e orientação sobre o que realizam oficinas em grupo para pais e adolescentes, que podem se inscrever diretamente.
  • Por outro, oferecem tratamento especializado com terapia familiar, individual e em grupo para os menores. Nesta área, os casos chegam derivados por um profissional, seja de serviços sociais, um médico ou um orientador do instituto.

E é que, como nos lembra o responsável do Serviço, “as novas tecnologias oferecem muitos benefícios, mas se não aprendem a fazer um uso consciente e responsável podem ser prejudiciais“.